Quem são as crianças da Amazônia ?

Entre a imensidão das árvores, dos rios e dos animais na Floresta Amazônica, existe muito mais do que os olhos podem ver através de vídeos, fotos e livros – como é conhecida pelo restante do Brasil e do mundo. Ali habitam populações que têm suas raízes arraigadas àquela região, longe dos grandes centros, da tecnologia e muitas vezes, à margem da cidadania.

A floresta não é povoada somente por comunidades remanescentes de povos indígenas, mas por quilombolas e inúmeras comunidades locais caiçaras, babaçueiros, jangadeiros, ribeirinhos/caboclo amazônico, ribeirinhos/ caboclo não amazônico (varjeiro), sertanejos/vaqueiro, pescadores artesanais, extrativistas, seringueiros, camponeses, dentre outros, compõem um rico mosaico de diversidade cultural, social e étnico. Essa população ainda precisa lutar por direitos fundamentais, assegurados na constituição.

Na Amazônia Legal vivem cerca de 15% de crianças e adolescentes brasileiros. A região perfaz o segundo maior número de crianças quilombolas do Brasil (só entre o Pará e o Amapá  temos 102 comunidades quilombolas), e as ribeirinhas caboclas incluem-se nessa estatística nacional.

Os Nove milhões de crianças e adolescentes da Amazônia, representam praticamente 40% da população da região (a mais jovem de todo o País).

 Ao lado do Nordeste, a Amazônia tem hoje os piores indicadores sociais brasileiros, apesar dos avanços nos últimos anos. Enquanto o nível de pobreza das crianças e dos adolescentes – aqueles que vivem com famílias com renda per capta de menos de ½ salário mínimo mensal  é de 50% para o Brasil como um todo, esse percentual sobe para 61% na Amazônia Legal Brasileira, chegando em alguns Estados da região a superar 65% (IBGE, 2006).Com a taxa de mortalidade infantil o quadro se repete: na Região Norte, 25,8 crianças morrem antes de completarem o primeiro ano de vida em cada grupo de mil nascidas vivas, sendo que a média brasileira é de 24,9 e da região Sul é de 16,7.

A maior parte das crianças indígenas moram em assentamentos da reforma agrária. Essas outras populações enfrentam problemas similares aos dos indígenas, como os quilombolas, descendentes de negros escravos que vivem nos chamados Quilombolas ou Quilombos, cujo maior desafio é a permanência nas terras dos seus ancestrais.

Em relação ao direito de aprender, a disparidade também permanece: os Estados da Amazônia ainda têm as menores proporções de crianças em creches e pré-escolas, respectivamente, 8% e 64,2%. Nessa região, mais de 92,2 mil adolescentes são analfabetos e cerca de 148 mil crianças e adolescentes, entre 10 e 14 anos, estão fora da escola.

Conheça os termos que designam algumas populações tradicionais:
• Babaçueiros: Extrativistas que têm como base de subsistência a exploração do babaçu, uma espécie de palmeira oriunda do Norte do Brasil;
• Cafuzos: mestiços de negros e índios que vivem em comunidades rurais;
• Caiçaras, caboclos: mestiços de índios e portugueses. São pescadores tradicionais;
• Seringueiros: Sua principal atividade é a extração do látex, matéria-prima da borracha, embora possam também praticar alguma agricultura e criação de gado. As primeiras Reservas Extrativistas criadas no País foram em grande parte resultantes das ações dos seringueiros;
• Quebradeiras de Coco: Mulheres de comunidades extrativistas do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí que coletam e quebram o coco da palmeira de babaçu, utilizando para a produção de óleo e sabonete de coco, por exemplo.

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